AMIGOS, E AINDA HERÓIS.

A distância idealiza, oculta falhas, constrói heróis.

Aliás, a distância só faz heróis por causa da distância.

A distância faz com que os outros se pareçam mais com o que queremos que eles se pareçam do que como eles realmente são, pois ela produz projeções sobre os outros que distorcem a realidade.

Talvez, a melhor reação diante das afirmações acima seja: “vamos manter distância“.

Mas isso não é a melhor resposta, pois a distância constrói heróis falsos para si, ou, no mínimo, frágeis em relação ao que eles realmente são.

Por outro lado, a amizade destrói esses heróis. Mas ela também reconhece heróis, não do tipo falso, ou frágil, mas do melhor tipo que existe: heróis verdadeiros e falhos.

A distância gosta de participar da vida nos grandes momentos. A amizade, em todos os momentos.

A distância é propensa à idolatria. A verdadeira amizade, ao amar.

A distância gosta de ‘honestidade’ atrás de uma tela e de uma vida sem contexto. A amizade entra na casa.

A distância se preocupa somente com a ausência. A amizade, com a indiferença.

A distância se compromete a lutar somente até a bateria descarregar. A amizade se agrada em sacrifícios verdadeiros.

Olhe para uma esposa sentada, olhando para o seu marido, mas não olhe para o que ele está fazendo, olhe através do olhar dela. Você percebe a admiração? Você percebe que o sentimento do olhar é gratidão? Não foi a distância que fez isso, mas a amizade.

Na era da distância, que ama ‘sinceridade’, mas de longe, precisamos de amigos que, mesmo próximos, são heróis, ainda que quebrados. Pois na amizade, as fraquezas deles também fazem parte do motivo da nossa admiração por eles.

Veja o ensaio fotográfico completo: aqui.

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